É isso aí pessoal, no último sábado dia 29 de Janeiro aconteceu o tão esperado dia do Jogo Justo,  data em que os gamers poderiam comprar seus jogos por preços justos, sem os já conhecidos impostos abusivos promovidos pelos nossos governantes.

O objetivo do Jogo Justo era mostrar aos governantes o quanto o mercado de games no Brasil pode se expandir , caso os jogos eletrônicos sejam tributados de uma forma justa.

A lista dos jogos que seriam disponibilizados para esse dia havia sido divulgada na sexta-feira, infelizmente a lista contou com apenas 3 jogos: Assassin’s Creed Brotherhood, Castlevania Lords of  Shadow e Pro Evolution 2011.

Resolvi ajudar dando minha contribuição ao projeto tentando comprar ao menos um game, contudo não foi tão simples como parecia, fiquem agora com a minha Gincana do Jogo Justo.

O começo

O dia começou cedo pra mim, afinal com esse calor infernal que anda fazendo fica difícil dormir até tarde e também porque eu sabia que o Jogo Justo se iniciaria às 9 da manhã,  malandramente fiquei logo acompanhando a movimentação do povo pela net e pelo twitter, quando por volta de 8:30 o povo do Walmart começou a twittar sobre o Jogo Justo, convidando o pessoal para o site.

Fiquei pesando “Beleza os caras estão preparados e convocando a galera”, o tempo passou e muitos tweets depois eram 9 horas e entrei no site do Walmart e…    NADA de Jogo Justo, os games estavam com seus preços normais, ou seja  199 Dilmas !

Continuei tentando e nada mudava, fui para o twitter e vi muita gente falando a mesma coisa. Pessoal do Walmart disse para o povo limpar a cache do navegador e entrar no site, mas nada feito.  Então quando foi por volta de 9:15 o pessoal do Walmart informou que eles estavam com alguns problemas no site e que em breve estaria tudo resolvido.

De fato, cerca de uns 5 minutos depois do tweet informando essa situação, os games finalmente ficaram disponíveis para compra pelo preço do Jogo Justo. Eu poderia então comprar meu AC: Brotherhood e tudo ficaria bem, mas sabem como é a Lei de Murphy… tudo que tem a probabilidade de dar errado, acaba dando errado mesmo.  Então consegui fazer minha compra, mas quando coloquei os itens no carrinho…

A compra não passava da confirmação de endereço.  Após uns 40 minutos tentando comprar e vendo que todo mundo estava com o mesmo problema, resolvi desistir de comprar pelo site. Pois eu ficaria o dia inteiro tentando e a probabilidade de conseguir comprar seria pequena.

A Viagem

Após chegar a conclusão que tentar comprar pelo site seria inútil, resolvi ir até lojas físicas que participavam do projeto, afinal as chances pareciam bem melhores. E como eu teria que sair de casa para ir até a Barra, só resolvi adiantar as coisas.

O problema é que moro em Madureira, zona norte da cidade  e as lojas que aderiram ao Jogo Justo eram na zona sul e abririam às 10 da manhã, então a probabilidade de pegar os jogos seria pequena também.  Mas enfim, saí de Madureira, terra do samba e de um calor, que o próprio capeta imploraria por um ar condicionado portátil. Fui pegar um ônibus até o metrô e do metrô eu poderia seguir para zona sul.

Após pegar o metrô, minha primeira para parada foi no Largo do Marchado, onde fica a Megalogame, cheguei lá na galeria onde fica a loja, tinha uma galera fazendo fila na porta e muita gente dentro da mesma. Me veio logo aquela grande frase dos comediantes do Nós na Fita “ F**** de vez!”  não peguei nada no site e também não conseguirei nada aqui. Mas fazer o quê? Já estava lá e não tinha mais nada a perder, então comecei a conversar com o pessoal, todo mundo na faixa de uns 23 anos pra cima e a maior parte dono de PS3, exceto eu e mais um cara que também era dono de um 360.

O que pra mim era bom, afinal eu poderia pegar o meu jogo sem tanta concorrência, o tempo passou e foi minha vez de entrar na loja, fui logo pedindo o Brotherhood, quando a moça lá disse que o último tinha acabado de ser comprado por um cara que havia acabado de sair.

Mas ainda havia a última cópia Castlevania lá e acabei pegando,  sei que é um ótimo jogo e eu pretendia comprá-lo também, mas eu queria mesmo  AC: Brotherhood, então decidi ir até Botafogo e ver  o que conseguiria por lá, afinal eu já estava na rua, no calor e por perto mesmo. Peguei um ônibus e fui até o Botafogo Escada Praia Shopping, chegando na GameTech  haviam poucas pessoas na loja, pois a loja haviam acabado de sair umas 15 pessoas de lá. Fiquei pensando que alguém havia terminado de comprar o jogo, e a cena da outra loja se repetiria, mas felizmente ainda haviam 2 cópias do AC: Brotherhood para o 360 e consegui pegar o game.

Apesar de cansado e com calor valeu a pena ter saído de casa mais cedo para ajudar na campanha do Jogo Justo e ter conseguido comprar os games que eu queria bons preços.

Considerações sobre o dia do Jogo Justo

Na minha opinião o dia do Jogo Justo foi proveitoso, não apenas por eu ter conseguido os meus jogos, mas sim pela iniciativa que mostrou , que o mercado de games aqui pode ser grande, se houver o mínimo de interesse em resolver o problema, afinal games serem taxados como jogos de azar é algo absurdo. Sem falar que é estranho imaginar que o Brasil tenha um mercado legal de jogos menor que países como México e Chile por exemplo.

Embora muitas pessoas tenham criticado a iniciativa devido a falta de jogos em algumas lojas e a falta de suporte nos sites, temos que lembrar que foi a primeira vez que alguém procurou fazer algo desse tipo no Brasil e nenhum projeto  começa do zero e atinge um resultado perfeito logo de cara.

Um dos problemas do Jogo Justo foi a falta de apoio de algumas grandes redes de varejo, que estavam apoiando o projeto, mas que na hora em que realmente deveriam fortalecer a causa,  vendendo  games pelo preço do Jogo Justo, resolveram pular fora. Claro que nenhuma empresa está nessa, única e exclusivamente para agradar consumidores, tem muito marketing por trás dessa história, contudo seria muito mais inteligente fortalecer essa iniciativa do que abandonar o barco no momento decisivo.

No final das contas o dia do Jogo Justo teve um bom destaque na mídia, recebendo uma matéria  no segundo bloco do Jornal Nacional. A matéria mostrou como foi o Jogo Justo em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de ter uma boa entrevista com um tributarista que explicou como funciona a questão de impostos sobre games no Brasil de uma forma bem simples.

O que derrubou a qualidade da matéria , foi o último VT, com o velho estereótipo, “garoto- gamer-  sem vida social que a mãe compra todos os seus jogos, porque ele não faz mais nada na vida.” Quando na verdade sabemos que o público que joga e principalmente compra mais jogos não é esse tipo de pessoa.

Enfim, espero que o dia do Jogo Justo possa de certa forma ter ajudado a mudar um pouco a forma que a industria dos games é tratada por aqui e mostrado quanto é grande a comunidade gamer BR.

 

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